28.8.11

Queridaaaaa, voltei!

Decidi - depois de muito pensar e relutar - reatar com o "Coisa de Menina". Claro que boa parte eu devo a @mulhervitrola pela belíssima e persuasiva campanha (Volta, Mundo Blogueiro) que vem desenvolvendo em prol dos bons e velhos costumes do nosso mundo blogueiro.

Eu quero começar uma nova fase, quero ampliar os horizontes e as expectativas daqui. Ir um pouco além desses meus cansativos dramas mexicanos. Vou tentar falar de cinema, de arte, de livros, de mim, de você e, claro, das minhas adoradas futilidades.  E, se quiser, pode ser necessariamente nessa ordem.
Mas - e principalmente -  porque a minha vida tá muito chata, não tenho mais tantos dramas amorosos e ficantes mirabolantes, entre ler sobre a atualidade da minha vida e uma bula de remédio, eu recomendaria a segunda.
Vou tentar organizar tudo em categorias para facilitar a vida de vocês - e complicar a minha, claro! Fazer o quê, né? Meu altruísmo está super em alta. 

Bom, vamos ao que interessa.

Eu criei o péssimo - e viciante hábito - de dormir assistindo alguma coisa, seja filme, séries, programa de TV...
Ontem foi a vez de "Requiem for a Dream", um filme estadunidense do ano 2000, gênero drama, dirigido por Darren Aronofsky, que relata, de uma forma bem peculiar e impactante, os vícios e "loucuras" de Sara Goldfarb, do seu filho Harry, Tyrone e Marion, amigo e namorada de Harry, respectivamente. Com um final nada feliz (mas que vale muito a pena ser visto) e uma overdose de reflexões para acabar com a (minha ) noite de sono.
  • Eu vi a personagem Sara Goldfarb , interpretada por Ellen Burstyn , como uma lente de aumento de mim mesma. A diferença é que a tentativa que venho travando com a balança é para me esquivar do centro de antenção e não me tornar atração principal de um programa, como almeja Sara.O que não é difícil para mim, ser a aberração da vez, visto o número, que cresce a cada piscar de olhos, de pessoas que entram no fabuloso mundo das anfetaminas e dietas "milagrosas", nas lipo mágicas e reduções de estômogo surpreendentes. A que preço, minha gente? Sara está aí na ficção para mostrar o que o mundo real oculta. Ser gordo, hoje em dia, é quase uma afronta à humanidade. Você perde todo o direito de existir. (Detalhe: Lê-se gordo qualquer pessoa que não tenha os ossos a mostra.) Não estou aqui levantando a bandeira da obesidade, apenas fazendo uma breve observação em relação a preocupação excessiva que somos levados a ter em relação a nossa própria aparência, muitas vezes sacrificando a saúde. Era pra ser o contrário, não? Na minha época, saúde vinha em primeiro lugar. Mas não estamos na época da geração saúde. A geração da vez é a fast-food e bisturi, necessariamente nessa ordem.  
  • Mudando de assunto e personagem, mas não tanto assim, não pude deixar de sintetizar Harry, Marion e Tyrone em uma pessoa só. Não que eles possuam exatamente as mesmas características, mas conheço uma pessoa que possui as característics dos três: o dom artístico de Marion; a capacidade empreendedora e de liderança de Harry; o apreço pela mãe de Tyrone. E, claro, a capacidade de destruição dos três juntos.  
  • Já pararam para observar que os maiores maus da sociedade começam na família - ou melhor, na ausência dela? Sara, Harry, Tyrone, Marion, cada um em seu drama particular, são provas vivas - e loucas - dessa realidade.
Acho que não consegui explicitar, de fato, o impacto que o filme em questão causou em mim. Ainda está tudo meio misturado e confuso. Boiando próximo a uma margem que desconheço. 
Peço perdão por não ter conseguido, nem com os tópicos acima, organizar e solidificar a ebulição dos meus pensamentos. Talvez porque, no fundo, a verdade não seja fácil de ser dita e, muito menos, de ser entendida. 
Requiem for a dream é apenas um espelho da nossa sociedade, com muito mais cortes e menos emoção

Esse filme foi um alerta e uma prova viva de que recodar é viver.





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10 comentários:

  1. Bem-vinda de volta.
    Filme e comentários fantásticos! Sem mais.


    Deixo meus beijos calorosos.

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  2. Que bom que voltoooou.
    bem vinda ao seu mundo de volta ♥

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  3. Muito bom ter você te volta à Blogosfera!
    Bem Vinda de Volta...
    E posso dizer que voltou com tudo...
    Esse filme de fato faz refletir...
    Gosto muito também de Trainspotting, que guarda diversas semelhanças com Requiem for a Dream, e também Pulp Fiction, que guarda algumas semelhanças...
    Abraço de quebrar a costela!

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  4. Haha, eu gosto de dramas mexicanos xD acho mais interessantes os blogs com conteúdo "pessoal" do que os que visam unicamente temas como literatura, cinema... É legal misturar os assuntos, mas não tenho muita paciência pra ler, por exemplo, um blog que posta só sobre livros.
    Sobre Requiem, nunca vi o filme, mas a trilha sonora é maravilhosa! Uma das melhores.
    Pois é! Ser gordo ou normal (vide Demi Lovato no VMA ontem, ela estava LINDA e pessoal já estava chamando de GORDA) parece que ofende pessoalmente cada cidadão "magro", parece que pelo simples fato de tu estar acima do peso - que eles acham normal, tu é uma aberração que precisa ser destruída. Acho isso ridículo, principalmente pq hoje em dia, a diva suprema Marilyn Monroe seria considerada gorda. Até postei sobre isso no meu blog há um tempinho atrás.
    Adorei o blog, primeira vez que visito :) boa semana!
    :*

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  5. Feliz também por teu retorno.
    Menina, escrever é uma terapia em si. Mal ou bem dito, as palavras são manifestações da realidade interna. Se há coerência, maior o resultado. Mas em todo caso, contar sua história (mesmo para si mesma, como diria Mushkil Gusha) já se dissipa o emaranhamento existencial.
    Não suma. Quero te ver por aqui.

    Sobre o filme (ou melhor, sobre o diretor) é deveras impactante, Aronofsk tem sensibilidade e percepção aguçada para representar o subjetivo, as possibilidades da mente e suas teias...
    Dele, o melhor filme (que me emocionou profundamente, de um ponte de vista de sensibilidade metafísica) foi o "A Fonte da Vida". Um filme completo, maduro e completamente simbólico.

    Recomendo.
    Beijo do Eulálio.

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  6. Que bom que esta de volta, obrigada pela visit no meu cantinho, já seguia aqui por algum tempo.
    Eu acho muito legal esse compartilho de coisas.
    Deus abençoe, ótima semana
    asoonhadora.blogspot.com

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  7. Que alegria, Talita! Prometo até assistir ao filme depois dessa resenha ótima. Mas a minha passada aqui agora foi mesmo para lhe dar alegres boas vindas e desajar longa duração. Meu abração. Paz e bem.

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  8. tái que seu blog é uma belezura e adorei a abordagem sobre esse filme. uma delícia de ler seus textos, tudo de uma leveza e inteligência.

    beijos.

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  9. Oi, Talita!

    Que bom conhecer o teu blog em uma fase assim, de retorno. Seja muito bem-vinda ao meu também, viu?

    Sobre esse negócio de magreza, ainda hoje comentei no Twitter que fico pasma quando me deparo com algum blog que fala em "Ana", "NF" e tal...É impressionante o que as garotas contam nos posts e as demais compartilham nos comentários...A ideia fixa por um corpo magérrimo é uma escravidão, uma tortura.

    Um beijo.

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  10. Boas vindas (atrasado..rs.). Gostei desta resenha desfarçada em desabafo..rs, belo post...gostei muito!!!
    Att.,
    Luks

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