31.8.11

Sweet September


“Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez”. Quem sou eu para duvidar ou discordar de Drummond, não é mesmo?
Que setembro entre com sua leveza e surpresas típicas. As flores estarão, por aqui, sempre ansiosas para recebê-lo.

(Abaixo, um texto meu antigo que marca o início da minha aversão a agosto e, consequentemente, o louco amor por setembro)


Vocês pensam que eu acreditava nessa história toda de mês do desgosto, do azar e blá, blá, blá?!! Nunca. De jeito nenhum. Quando alguém vier para vocês falando dos mistérios negativos inerentes a este mês, não duvidem. Nunca. Jamais. Não deem a cara a tapa, pois quando perceberem vão estar com a cabeça na forca. Nada é tão ruim que não possa piorar neste mês de agosto, acreditem.
Tudo começou com a minha típica incredulidade e síndrome de São Tomé, às vezes preciso ver para crer, infelizmente. Duvidei piamente que agosto pudesse ser um mês ruim, mesmo não tendo argumentos para comprovar que ele seria bom. E acabei pagando o preço incalculável de viver trinta e um dias praticamente intermináveis, que conseguiram sugar completamente todo o meu ser.
Comecei a ter medo do escuro, medo da vida, de mim mesma e até de ser feliz. Rejeitei, involuntariamente, todos os convites para sair. A melhor opção sempre era ficar trancafiada em um quarto esperando o tempo passar.
Tive um celular roubado bem diante dos meus olhos sem ter a certeza da autoria do crime, obtive um novo aparelho que de 5 cinco em 5 cinco minutos resolvia surtar. Meu MSN foi roubado e para completar até pessoalmente ficou difícil de conversar.
Meu dinheiro não deu nem para pagar a metade das minhas contas. Até para o cheque especial tive que apelar. Os meus textos ficaram meio insossos, meio sem graça, meio preto, meio branco, quase cinza e praticamente impossíveis de ler. Incluo este que escrevo, pois todos os relógios ainda marcam os últimos intermináveis segundos do mês amaldiçoado.
Vou começar a contagem regressiva. 8,7,6,5,4,3,2,1.
Enfim, Setembro.
Vamos sair para comemorar?!! Estou com uma felicidade que mal cabe em mim. Quero tomar vodka e brindar em taças de champanhe. Se ninguém me deter, vou descer as escadas correndo e cantar em alto e bom som “We are the champions” para que o prédio, a rua e o mundo todo possa escutar.
O relógio marca 00:01, ou seja, SETEMBRO. Finalmente, agosto acabou. Espero que o desgosto inerente a ele e toda má sorte também. A partir de hoje as coisas ocuparão seu devido lugar. Tudo conspirará a favor. Eu sinto.
Agora, deem-me licença, que eu vou aproveitar cada segundo do meu doce Setembro. INTENSAMENTE.


28.8.11

Queridaaaaa, voltei!

Decidi - depois de muito pensar e relutar - reatar com o "Coisa de Menina". Claro que boa parte eu devo a @mulhervitrola pela belíssima e persuasiva campanha (Volta, Mundo Blogueiro) que vem desenvolvendo em prol dos bons e velhos costumes do nosso mundo blogueiro.

Eu quero começar uma nova fase, quero ampliar os horizontes e as expectativas daqui. Ir um pouco além desses meus cansativos dramas mexicanos. Vou tentar falar de cinema, de arte, de livros, de mim, de você e, claro, das minhas adoradas futilidades.  E, se quiser, pode ser necessariamente nessa ordem.
Mas - e principalmente -  porque a minha vida tá muito chata, não tenho mais tantos dramas amorosos e ficantes mirabolantes, entre ler sobre a atualidade da minha vida e uma bula de remédio, eu recomendaria a segunda.
Vou tentar organizar tudo em categorias para facilitar a vida de vocês - e complicar a minha, claro! Fazer o quê, né? Meu altruísmo está super em alta. 

Bom, vamos ao que interessa.

Eu criei o péssimo - e viciante hábito - de dormir assistindo alguma coisa, seja filme, séries, programa de TV...
Ontem foi a vez de "Requiem for a Dream", um filme estadunidense do ano 2000, gênero drama, dirigido por Darren Aronofsky, que relata, de uma forma bem peculiar e impactante, os vícios e "loucuras" de Sara Goldfarb, do seu filho Harry, Tyrone e Marion, amigo e namorada de Harry, respectivamente. Com um final nada feliz (mas que vale muito a pena ser visto) e uma overdose de reflexões para acabar com a (minha ) noite de sono.
  • Eu vi a personagem Sara Goldfarb , interpretada por Ellen Burstyn , como uma lente de aumento de mim mesma. A diferença é que a tentativa que venho travando com a balança é para me esquivar do centro de antenção e não me tornar atração principal de um programa, como almeja Sara.O que não é difícil para mim, ser a aberração da vez, visto o número, que cresce a cada piscar de olhos, de pessoas que entram no fabuloso mundo das anfetaminas e dietas "milagrosas", nas lipo mágicas e reduções de estômogo surpreendentes. A que preço, minha gente? Sara está aí na ficção para mostrar o que o mundo real oculta. Ser gordo, hoje em dia, é quase uma afronta à humanidade. Você perde todo o direito de existir. (Detalhe: Lê-se gordo qualquer pessoa que não tenha os ossos a mostra.) Não estou aqui levantando a bandeira da obesidade, apenas fazendo uma breve observação em relação a preocupação excessiva que somos levados a ter em relação a nossa própria aparência, muitas vezes sacrificando a saúde. Era pra ser o contrário, não? Na minha época, saúde vinha em primeiro lugar. Mas não estamos na época da geração saúde. A geração da vez é a fast-food e bisturi, necessariamente nessa ordem.  
  • Mudando de assunto e personagem, mas não tanto assim, não pude deixar de sintetizar Harry, Marion e Tyrone em uma pessoa só. Não que eles possuam exatamente as mesmas características, mas conheço uma pessoa que possui as característics dos três: o dom artístico de Marion; a capacidade empreendedora e de liderança de Harry; o apreço pela mãe de Tyrone. E, claro, a capacidade de destruição dos três juntos.  
  • Já pararam para observar que os maiores maus da sociedade começam na família - ou melhor, na ausência dela? Sara, Harry, Tyrone, Marion, cada um em seu drama particular, são provas vivas - e loucas - dessa realidade.
Acho que não consegui explicitar, de fato, o impacto que o filme em questão causou em mim. Ainda está tudo meio misturado e confuso. Boiando próximo a uma margem que desconheço. 
Peço perdão por não ter conseguido, nem com os tópicos acima, organizar e solidificar a ebulição dos meus pensamentos. Talvez porque, no fundo, a verdade não seja fácil de ser dita e, muito menos, de ser entendida. 
Requiem for a dream é apenas um espelho da nossa sociedade, com muito mais cortes e menos emoção

Esse filme foi um alerta e uma prova viva de que recodar é viver.





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