30.7.10

Válvula de escape

Mariana carregava aquelas marcas de verão em evidência em sua pele, quando decidiu pôr um fim naquela estação. Súbito, já estava em seu apartamento curtindo sozinha o final de tarde de uma quinta-feira, propositalmente, incolor.
O vazio encontrado era surpreendentemente maior do que aquele previsto por sua mente hiperbólica. De fato, aquela ausência alargara as lacunas no peito e encolhia as possibilidades do mundo ao redor.
Foi se livrando, um a um, de todos os itens que Arnaldo deixara de herança em sua vida. E foi assim que as saias comportadas, o cabelo comprido e escuro, a franja lateral, os sorrisos contidos de canto de lábio e, principalmente, aquela maldita dieta vegetariana foram saindo de cena.
Agora que a vida adquirira uma leveza inédita, bem que a felicidade poderia aderir a praticidade do delivery.
É... Poderia. Por que não?
Então, resolveu pedir uma pizza. E o entregador para dentro de si.
A partir desta data, Mariana tinha um encontro subliminarmente marcado com algum entregador de pizza. Passou a degustar incessantemente aquilo que a Mariana recatada e contida de antes desconhecia.
Todas as noites ela senta no sofá, respira e acumula toda concentração que adquiriu ao longo da vida. Escolhe o sabor de acordo com seus anseios, como se a pizza fosse um tapa buracos fictício. Concluído o ritual, ela telefona para alguma pizzaria inédita. E o vácuo que acompanha os minutos que se seguem após este ato, é enlouquecedor.
Até que a campanhinha toca. Ele aparece. A espera vai embora. E a concentração acaba perdendo-se diante daqueles ataques fulminantes de libido.
A seqüência de rostos, corpos e nomes aumenta com o avançar do calendário. Os nomes, ela quem trata de inventar. E vão surgindo Mateus, Marcos, Lucas, Pedro, Moisés, Abraão e uma longa lista de nomes, todos bíblicos, do antigo e novo testamento.Tudo meticulosamente inventado para contrastar com o Capital de todos os seus pecados.
No mundinho desmedido de Mariana, os entregadores de pizza perdem vontade e identidade, viram brinquedinhos em suas mãos. Como ela orgulha-se em dizer: “são meus anjos tortos perdidos no meu parque de diversão”.
Apesar de tudo, Mariana ainda dorme com os excessos e limitações de uma vida. Não é mais recatada nem contida. Mas nem por isso, menos infeliz.
Por fim, percebeu que mesmo com tantos elementos, o conjunto ainda continua vazio. E que no fundo, as coisas não são como pensava. Mas mesmo assim, prefere dormir todos os dias com a ilusão de que todos os finais felizes, necessariamente, acabam em pizza.
E mesmo vendo os anjos caindo um a um, não consegue perceber que isso é apenas o prelúdio de mais um desfecho desastroso de estação. Está ocupada demais para atentar que o deus ignorado, um dia irá se rebelar.

'Ilusão: um lugar de areia movediça pra alma
onde a gente pisa jurando que é jardim.'

[Ana Jácomo]
º Ouvindo: Linda Rosa -Maria Gadú: Letra & Música

29.7.10

Talita, muito prazer!



Deu uma vontadezinha danada de mudar tudo. Decidi começar por aqui. Mudando as cores, mostrando a cara por completo e deixando de andar tanto pelas entrelinhas. Cansei daquela imagem distorcida com sorriso congelado e unhas cor de Ploc.
Vinte e nove de julho de dois mil e dez. Não sei bem o porquê, mas acho que esta data é propícia para apresentações. Agora, no meu calendário, ela será feriado.
Enfim, meu nome é Talita. Souza de pai. Oliveira de mãe. Nômade. Inconstante e inconformada. Nascida em Fortaleza- Ce, residindo em Mossoró-RN. Mesmo tendo o porto seguro em Aracati-Ce. Totalizando vinte e dois anos de passagem pelo planeta água.
Estudante de Administração e sem muito talento para administrar a própria vida. Com esperança de encerrar esse ciclo no final do ano para, enfim, alçar novos vôos.
Confesso que não lido bem com pessoas e muito menos com o amor. Os extremos trataram de me deixar impossibilitada. Tenho um estranho fascínio pelo invisível. As vezes, chego a confiar mais no meu sexto sentido do que nos outros cinco juntos.
Sem delongas, sou essa criatura estranha da foto ao lado. O aspecto pode não ser tão bom, mas é só o que resta. É o que tem pra hoje.
Muito prazer.
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Contatos:

28.7.10


“Somos assim. Sonhamos o vôo, mas tememos as alturas. Para voar é preciso amar o vazio. Porque o vôo só acontece se houver o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o vôo por gaiolas.
As gaiolas são o lugar onde as certezas moram. É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estranho os engaiolou, que se as portas das gaiolas estivessem abertas eles voariam. A verdade é o oposto. Os homens preferem as gaiolas ao vôo. São eles mesmos que constroem as gaiolas onde passarão as suas vidas.”

Rubem alves

25.7.10

Selos

Agora que estou de férias e já descansei um pouco, decidi voltar a me dedicar ao blog. Só vomitava alguns textos aqui, sem comentar ou responder comentários.
O semestre que passou foi super corrido, impedindo-me de fazer inúmeras coisas, inclusive dar atenção aos meus queridos que sempre me visitam aqui. Agradeço a todos pelo carinho e atenção que foram constantes apesar da minha ausência.

Decidi recomeçar com a seção 'Selinhos'
Estes selos que postarei, recebi da Lury Sampaio no dia 19 de maio. Sei que está um pouco atrasado, mas como diz o ditado " Antes tarde do que nunca". rsrs..
Obrigada, flor!



As regras são:
Postar os selinhos no seu Blog.
Me deixar um recadinho.
Listar cinco coisas que você gosta de fazer.
Indicar 1o Blogs para receber os selinhos.
E deixar um recadinho nos Blogs que você escolher.








Indico:
P.S. Como deu para perceber, não sou muito talentosa para seguir regras!
=X


24.7.10

"A dor da sua partida trouxe toda a dor do mundo. De uma só vez. Mas agora já passa da meia noite. Não é mais nosso aniversário de fim e, pra te falar a verdade, eu já não sofro mais o nosso fim faz tempo. E pra te falar ainda mais a verdade, eu acho mesmo que você foi o príncipe que eu esperei a vida inteira. Você chegou e me levou embora. Levou embora a menina que tinha medo de sentir a vida e esperava uma salvação para tudo. Quem sobrou é essa desconhecida que se conhece muito bem em suas bizarrices, lê jornais todos os dias, substituiu o bege pela cor do verão, tem uns pais gente boa ainda que malucos, adora os poucos e estranhos amigos, não espera mais pelo cavalo branco mas fica ansiosa pelo início da novela e talvez esteja pronta para amar de verdade. Amar um homem e não um príncipe."

Tati Bernardi

21.7.10

Cinco

Às vezes quando nos distraímos, o inesperado surge e resolve reinar. É estranha a familiaridade repentina que vocês agora me passam. Logo vocês que não passavam da dupla dinâmica de meninas prodígios que colecionam as melhores notas sem precisar se esforçar e do menino com chapéus excêntricos na cabeça e comentários articulados em sala de aula. Observava as qualidades de vocês a distância com o meu pseudo ar de indiferença. Era tudo muito harmônico para ser penetrado pela minha presença escondida nas laterais da sala de aula.
Vocês agora têm nome e significado. Surgiram aos 43 do segundo tempo e pela terceira vez nesses quatro anos, vi mãos estendidas, dispostas a me ajudar. No pacote trouxeram uma linda bailarina, cheia de vida e como se não bastasse o talento com os pés, ela também se sobressai com desenvoltura no ofício com as mãos. A partir deste momento, vi que a caixinha de surpresas não fecharia nunca mais.
E foram viagens, sorrisos, abraços, estudos às 07:00 e até mesmo às 22:00 de domingo na biblioteca, mais sorrisos, fotos, textos bonitos. Sentimentos.
Ontem, dia vinte julho de dois mil e dez, éramos cinco compartilhando a mesma felicidade. Primeira pessoa do plural. E neste noite pós dia do amigo, brindo ao improvável.

20.7.10

O etílico




- Você gosta do sabor?
- Não. Do sabor, não.


Na hora aquele olhar de desaprovação impediu-me de dizer que o que realmente gosto é da temperatura. Ah, e daquela sensação posterior.

12.7.10

OUT



A minha imaginação anda meio incontida. Acho que passei da fase de contrariá-la. Agora, apenas fecho os olhos e aproveito. Poucas pessoas conseguem sentir a intensidade com a ausência total dos sentidos.

5.7.10

Abstraindo


Descobri o que eu quero para hoje!! Quero o verbo ABSTRAIR. Assim mesmo, bem convincente. Ah, no gerúndio, por gentileza!