8.4.10

Quando a sorte vem, é assim


Tem dias que a sorte resolve sorrir.
Olhei para os dois lados, para trás, para cima.. Bem, parece que é para mim mesmo. Então, o que há a fazer a não ser sorrir de volta?!
A nuvem preta petrificada, inexplicavelmente, resolveu sair de cima de mim.
Confesso, que a manhã começou com cara de tragédia. Fazer uma visitinha básica em dois médicos em um mesmo dia, é no mínimo, muito desagradável. Mas isso, só se o sorriso não acontecer. Como, supreendentemente, não foi o meu caso, as coisas fluíram com uma suavidade de uma nuvem. Dessa vez, vermelha. Da cor da paixão e em forma de setas. Eram duas. Apontando para irresistíveis opções.
A primeira apareceu pela manhã bem cedo e me fez esperar, pelo menos, umas três horas para ver o que havia além daquela porta fechada. Quando a porta abriu, vi a seta (lê-se no aumentativo) indicando o oftalmologista mais charmoso do sistema solar. Valeu a pena cada segundo olhando aquelas revistas com informações da vida alheia e, pior, ultrapassadas. Se soubesse que aquela era a porta da felicidade, esperaria pacientemente a vida inteira, leria aquelas revistas por vezes e vezes sem cansar.
Além de lindo, educado e cheiroso. Ele é prático. Sabe o que quer. Gosta de conhecer bem as pacientes e obter detalhes de sua vida pessoal. Elogiar muito e olhar bem fundo nos nossos olhos - oftalmologistas fazem isso como ninguém, por que será?
Gosta mais ainda de pegar o número do telefone. Afinal, talvez eu precise que ele me ligue todos os dias para saber se minhas pupilas estão bem, se estão felizes, perfeitamente recuperadas daquele colírio serial killer. Se meus olhos estão brilhantes e fascinados igual a primeira vez que me viu.
Normal. Um bom profissional. Os bons (e bonitos) médicos deveriam sempre agir assim.
Depois do "quiz" rotineiro. Partimos para o objetivo incial da consulta - que por sinal, eu já havia esquecido.
Depois de tanto ver letrinhas pequenas e lentes girar, recebi a notícia que consigo enxergar. Muito bem, obrigada!
Infelizmente, enxergo tão bem a ponto de ver nitidamente aquela foto com sorrisos congelados e imagem de eternidade de uma familia feliz.
Então, adeus aos óculos e ao doctor bonitão. Pelo menos, enquanto houver aquela felicidade tripla naquela mural. Um conjunto de felicidade deve ser respeitado. E melhor, admirado.
Já tava quase desistindo de ir ao dentista pela quarta vez em um mesmo mês. Mas por falta de algo melhor para fazer, resolvi arriscar. Alguma hora teria que parar de fugir.
Dessa vez tudo foi rápido, sem a angústia da espera quase infinita. A seta apareceu rápido dessa vez. Indicava um menino vestido de dentista, esforçando-se para passar um ar de responsável. A carinha era bem familiar, de alguém que esporadicamente faz visitinhas ao meu orkut.
Ele realizou seu ritual dentário tão calmamente, que essa sensação acabou passando para mim.
Dessa vez sentar em uma cadeira meio cama e ficar mil horas olhando para cima e com a boca aberta, tendo que me cominicar com alguém mexendo nos meus dentes e que vejo meio de cabeça para baixo, em cima de mim, sentado ao meu lado não foi tão complicado como deveria ser.
A única dificuldade foi para entender a necessidade de voltar novamente se não havia mais nada para se fazer lá. Pelos menos, não nos meus dentes.
Voltarei. É só o que me resta. Eu e essa minha mania de colecionar mensagens subliminares e subjetivas.
Entre uma consulta e outra vi o carteiro mais charmosinho da história dos Corrreios. Ele tinha uma ar despreocupado de Dom Juan. E melhor, sabe muito bem como pedir um informação. Adoro quem sabe pedir, quem pede tão fácil e convincentemente. É fatal. E eu dou. Sempre dou. Direto e iresistível, simples assim.
Voltei para casa radiante. O dia conseguiu o recorde de surpresas. Agora vou dormir, mas antes rezarei para esbarrar novamente com o carteiro amanhã. Gostei dele. Parece livre e leve. Além de possuir uma beleza bem singular.
Melhor não seguir as setas. Tenho vida própria e opinião também. Costumo andar pelo lado oposto do caminho traçado.
Por isso, sei bem como devo agir amanhã. É só correr para o abraço agora. Pois quando a sorte vem, é assim. Basta continuar a sorrir.


"Eu tava triste tristinho
mais sem graça que a top model magrela
na passarela
eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
que um vilão de filme mexicano
tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do circo vostok

mas ontem eu recebi um telegrama
era você de aracaju ou do alabama
dizendo nego sinta-se feliz
porque no mundo tem alguém que diz:
que muito te ama que tanto te ama
que muito te ama que tanto tanto te ama

por isso hoje eu acordei
com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado 2x
de bater na porta do vizinho
e desejar bom dia
de beijar o português da padaria..."
(Telegrama - Zeca Baleiro )
Ao Márcio, pela ideia genial

8 comentários:

  1. Que isso, seu nome me lembra uma grande amiga que foi minha vizinha durante 15 anos!
    É uma forma de homenagear. É um lindo nome!
    E pelo menos aqui em BH este nome não tá mal falado, viu.

    Adorei conhecer seu blog. Voltarei aqui outras vezes!

    um beijo, Márcio.

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  2. Adorei seu espaço, um cantinho, um refúgio.
    Ps. Não conte para ninguém que passei horas aqui ok?
    beijos

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  3. Sabe o que me lembrou seu texto? Aquela música do Zeca Baleiro, Telegrama: hoje eu acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado, de bater na porta do vizinho e desejar bom dia, de beijar o português da padaria...

    um beijo

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  4. òtima ideia, Márcio! Tava procurando mesmo uma música para colocar no post.
    Vai ser dedicada a você, pela dica genial!!

    =]

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  5. Ser em construção,
    pode deixar!
    O segredo tá trancado em uma caixinha (de música)

    Beijos!

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  6. Passei para agradecer o carinho...
    beijos

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  7. Não há nada que mais me seduza do que o acaso, adoro as possibilidades.

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  8. Desse jeito nem vou conseguir dormir hoje...

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