28.4.10

Ele virou curiosidade e obstinação. Precisa saber urgentemente porque ela anda pelo lado oposto e sempre com os dois pés grudados no chão. Tenta formular perguntas indiretas e, na maioria das vezes, tira conclusões precipitadas. Não consegue associar a vontade do olhar obstinado com a ordem das palavras dela.
Produz dramas mexicanos para carregar o título de hipérbole do sofrimento e principalmente, porque percebeu que, mesmo negando e jurando junto a cruz que não, ela gosta. E rir. E se encanta. E ainda pede mais. Sem cansar.
Ele ainda não sabe, mas os dias dela viraram ansiedade e espera.. Não sabe que por trás da pseudo-maturidade e da pose de intelectual existe uma criança boba que ainda não aprendeu a brincar, que não sabe medir risos nem palavras. Que mesmo que faça cara e bocas de interrogação, fecha os olhos e aprecia o lado bom de acreditar das pessoas e na capacidade infinita que elas têm de preencher espaços vazios com exclamação.
Ele nem desconfia que o que antes era para ser uma breve comédia, acabou virando romance.
Ele ainda não sabe de muita coisa, mas acredita. E só por isso, um suspiro de alívio acontece. Ainda há esperança de um momento cheio de beleza, onde a incerteza cria asas e faz tudo acontecer.

"Ela vai mudar,
Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Mas espera que ele ligue a qualquer hora
Só pra conversar
E perguntar se é tarde pra ligar
Dizer que pensou nela
Estava com saudade"
(Mesmo que mude -Bidê ou balde)

25.4.10

Azar no jogo e no amor = sorte nas compras

Aquela parecia ser mais uma quarta-feira chata e tediosa de janeiro. Mas eu tenho uma prima que é uma declarada anti-tédio que desenvolveu ao longo dos anos, através de vários testes (festas e coisas afins) e estudos (outras festas e outras coisas afins), várias formas e fórmulas para afastá-lo. Dessa vez, ela decidiu não tomar nenhuma medida drástica imediata. Decidiu cautelosamente (por nós duas) que precisávamos ir ao Shopping. Não que shopping seja a coisa mais emocionante do mundo, mas acreditávamos (quero dizer, acho que ela acreditava) que lá existe uma maior probabilidade de encontrar algo melhor para fazer do que em casa. Se bem, que isso depende do shopping e da casa. Ah, e das pessoas. Só que isso não vem ao caso, agora.Quando chegamos ao Shopping (perceberam como estou gostando de escrever esta palavrinha?!) descobrimos (Mentira. Já sabíamos.) que 93,565% das lojas tinham resolvido ser boazinhas e legais, colocando todos os produtos em LIQUIDAÇÃO (sintam a pressão das letras garrafais). Imagine aí, nós duas em completo estado de insanidade causado pelo tédio em meio aquele Paraíso Feminino. È isso mesmo que estão pensando. A única coisa que queríamos era entrar em todas as lojas ao mesmo tempo, ter um limite ilimitado no cartão de crédito, levar tudo rapidamente para casa e não precisar rezar nem fazer promessas para aparecer alguém para pagar nossas “comprinhas”.Naquele dia aconteceram alguns fatos estranhos e curiosos.Enquanto entrávamos nas lojas e tentávamos dar a impressão de pessoas normais e controladas, conversávamos sobre a minha falta de sorte nas relações amorosas (estou tentando ser delicada com o assunto para não assustar vocês) e a sorte da minha prima (Muita, muita mesmo para ser sincera).Íamos falando, rindo (das minhas tragédias e das teorias dela) e experimentando as roupas. Não importava qual roupa eu vestisse, sempre ficava perfeita, linda (um acontecimento que ocorre apenas uma vez a cada milênio, pior que eclipse). Já as da coitada da minha parente (sei que é feia essa palavra, também não gosto muito, mas para evitar de escrever a palavra ‘prima’ mais uma vez) ficavam sempre desajeitadas. Ou folgadas demais ou apertadas demais (algo bem atípico também). Engraçado disso tudo é que o manequim dela é bem, mas bem mais favorável que o meu (Controlem-se. Parem de querer informações indelicadas). Mais engraçado ainda é que ela tinha dinheiro e eu não. Ela tinha dois cartões “bem livres” e eu não. Porém, não foi empecilho para meu dia Feliz. O dinheiro e cartões dela foram “transferidos” para mim. Existe sempre um lado bom em ter primas com dias desfavoráveis para compras.Mudamos do assunto Amor para o assunto Jogo. Já que eu não tinha sorte naquele tinha que ter neste. Todo o meu histórico foi analisado e reanalisado e nem um pouquinho, nem uma gota sequer da sorte em jogo nenhum. Fomos dos jogos esportivos às rifas para obras de caridade. Nunca ganhei jogo nenhum de baralho (só quando o meu pai deixava), nenhuma partida de futebol (das raras vezes participei de algum time disso, fiquei no banco eternamente), nem um chaveirinho de camelô em uma rifa qualquer (também não queria mesmo). Nunca mesmo.Tinha algo errado. E tínhamos que descobrir.Havia chegando o momento ideal para o sorvete. Ele seria muito bem-vindo enquanto pensávamos. E de tanto pensar a bola do sorvete da ... (É. Isso mesmo) minha prima caiu da casquinha e ela se sujou toda. Olha que o meu veio bem mais que o dela. A coitada tava com azar até na compra de sorvete.Finalmente, ela conseguiu encontrar algo que servisse. Um shortinho bem curto(quase uma calcinha)em uma loja de departamentos. Em compensação, teve que enfrentar uma fila quilométrica. Tive a impressão que teria que ficar esperando-a meses até que chegasse sua vez de ser atendida no caixa.Pensam que acabou foi?!Quando fomos pagar o estacionamento, (quero dizer, quando ela foi) a máquina engoliu o cartão e o dinheiro. Tivemos que esperar pelo menos uma hora até que tudo fosse resolvido (mal resolvido, diga-se de passagem).Ela passou o caminho inteiro de volta para casa segurando um terço e pedindo a Deus pelo menos um terço de sorte e que nada pior acontecesse. Mas não aconteceria, pois não tinha relação com as compras (pelo menos, acho que não). O fato é que chegamos sãs e salvas em casa. E eu, além de salva, estava bem satisfeita e feliz.Tenho azar no jogo e no amor (para dar e vender). Contudo, descobri certa sorte nas compras (que não divido, não vendo nem dou a ninguém).É prima, com isso tudo aprendi que a falta de sorte no jogo e no amor acarreta sorte nas compras. Ninguém pode ter tudo não é mesmo?!

23.4.10

Selo




Ganhei do blog da Ana Carolina
http://graf-fite.blogspot.com/
Obrigada, flor!

Regras:

1) Por que você acha que mereceu esse selinho?
Tenho um sério problema: não sei explicar. Só sei sentir.
Senti uma felicidade imensa ao recebê-lo. É muito bom fazer o que gostamos e ainda receber reconhecimento por isso.
Senti-me no Oscar do Blogspot! *.*


2)Na sua opinião qual post de seu blog é merecedor de um prêmio? http://bymenina.blogspot.com/2010/04/devia-saber-que-era-bom-demais-para-ser.html
O mais polêmico até agora. Diverti-me demais com os comentários!


3)Do blog que te indicou, o que mais te agrada? Ele merecia o blog de ouro?
Tudo é agradabilíssimo. O blog é lindo e super criativo, do título aos textos! Sou fã assumida! Merece todos os selos que existirem.


4)Passando para:

21.4.10

Logística dos feriados

Com licença, eu gostaria de saber quem é o responsável pela logística dos feriados. Porque eu tenho uma reclamação a fazer. Aliás, tenho algumas. E tenho que fazê-las agora, antes que a minha raiva passe.
O que se passa na cabeça de um indivíduo para largar uma dia tão precioso como um feriado em plena quarta-feira? Desperdício total. Principalmente em uma época tão corrida e difícil como essa. Como autoridade, deveria dar o exemplo de consumo consciente.
Pelo menos, esse ano deveriam dar uma folguinha a Tiradentes. O feriado poderia ter sido transferido para o dia do índio. Nada mais justo. Eles cuidaram muito bem do Brasil antes nossos queridos portugueses chegarem por aqui. Seria uma espécie de medalha de honra ao mérito. Sem falar que a data ficaria em uma localização ótima no calendário. Perfeita para fazermos uma festa imensa para comemorar, afinal o feriado estaria coladinho com o final de semana.
Tudo bem, então. Como queira. Mas já que Joaquim José da Silva Xavier é tão importante assim para você - e para todos os brasileiros, é claro! Tenho uma ótima sugestão a fazer: Que tal a gente homenageá-lo enforcando a quinta e sexta?!
Super justo, não acha?! Afinal, sozinho é bem mais difícil encarar a forca.
Enquanto você pensa a respeito, tenho mais uma observação a fazer. Será que percebeu que esta desgraça está prestes em outros meses do ano? Provavelmente não. Contudo, se você observar bem, vai perceber que a inutilidade dos feriados parece que aconteceu em efeito dominó.
Ah, quer um exemplo?! O dia do trabalho pode ser citado enfaticamente. Como ele pode ser comemorado em um sábado, se aos sábados ninguém trabalha? Falo dos seres livres. Afinal, escravidão ainda existe. E pobres seres ainda trabalham aos sábados, domingos, dias santos, dias de cão, enfim, este é outro assunto a ser tratado com outro alguém.
Acho que os feriados, ao contrário do responsável por eles, deveriam ser mais flexíveis.
E quer saber mais?! Penso que tamanha responsabilidade tem que ser assumida por alguém mais competente e que precise e entenda mais de dias de folga, ou seja, eu.
Antes que o caos se instale de vez nesse país, vou me candidatar ao cargo de autoridade logística dos feriados. É só o que me resta depois desse feriado improdutivo e infeliz. Mas, é claro, que a minha maior preocupação é o futuro e felicidade da nação.




"Hoje enfim eu dei o fora
(Bem na hora)
Arranquei a amarra
Vou cair na farra
Tchau!

Hoje não tem fria
Não tem freio, não tem fila
Não tem fardo -
É feriado pessoal
Hoje eu dei no pé
Te dei um pé
Só peço um doce vento
E pra você, um pouco mais de sal"

(Feriado Pessoal - Bruna Caram)

19.4.10

Aprendi a preferir os carecas

Devia saber que era bom demais para ser verdade. Hoje eu saí com o primo de uma amiga minha. Ele tem 25 anos, é advogado, muito lindo e solteiro. Pensei que fosse a perfeição vestindo Colcci. Mas acertar em relacionamentos nunca foi minha vocação.
O garotão me pegou em casa às exatas 20:00 horas, como combinado. Fomos para uma lanchonete, porque ele estava com desejo de comer um sanduíche de filé e tomar um milk shake de morango- sem cobertura, garçom!

Concordei com o destino, afinal acho que meus desejos vão ficar reservados para se um dia eu ficar gestante, um dia bem, bem distante, eu espero.
Chegando ao local, após fazer os pedidos, ele segurou minha mão, olhou profundamente em meus olhos (cheguei até a sentir um friozinho na barriga) e depois disse que a minha maquiagem estava perfeita, que tudo estava combinando harmonicamente com o tom da minha pele. Foi nesse exato memento que começou a dúvida que me perseguiria a noite inteira: é para rir ou chorar desta situação?
Com aquele mesmo olhar, que eu já estava começando a identificar, e com aquela voz de locutor de rádio, ele perguntou-me se eu achava-o bonito. Dei um sorriso amarelo, mais amarelo e insosso de todos os sorrisos amarelos e insossos da minha vida e quase vomitei bem na cara dele. Tive vontade de perguntar se ele tinha 10 nos de idade com cara de homenzinho, se bem que seria só a cara mesmo, porque o resto não tinha nada de homem.
Pensei que as emoções noturnas tinham acabado por aí. Mas que nada. O “meninozinho” é mestre em surpreender.
Finalmente, ele tentou ser normal. Tentou, porém não conseguiu. Aproximou-se, fechou os olhos lentamente e me beijou. Tive vontade de beijar um poste só para ver se conseguia ser mais emocionante do que aquilo.
Ele olhou para o relógio e ficou impressionado como conseguimos uma performance tão boa em apenas 23 segundos.
O nosso lanche chegou, mas ele nem ligava mais para os seus desejos alimentares, pois o único desejo que tinha agora era de passar o resto da noite falando de cabelos. Melhor dizendo, dos lindos, lisos, hidratados e castanhos cabelos dele.
A essa altura a minha fome e vontade de comer também já tinham ido passear , me deixando sozinha com esse maníaco por cabelos.
Tive que ficar escutando o nome de milhões de xampus, condicionadores, cremes de hidratação e muitas outras coisas que nem prestei atenção.
Só voltei ao mundo real de novo, quando aquele doente mental resolveu puxar um fio do meu couro cabeludo. A criatura parou e ficou analisando-o demoradamente sem proferir uma palavra. Eu já estava com medo. Pensei que ele tivesse fazendo uma macumba mental.
Ele olhou para mim com uma cara indecifrável. De início não dava para saber se era de tristeza, de raiva ou de nojo.
Enfim, disse que o meu cabelo era melhor que o dele, mais hidratado e foi o caminho de volta inteiro me atormentando para saber qual o meu “segredo”.
Ele só foi embora quando eu disse o nome de um creme para ele. Que nunca usei, é claro. Foi apenas para garantir minha paz.
Enfim, só.
A partir de hoje eu decidi que vou preferir os carecas. Não quero saber de cabelo por um bom tempo.
Avisem ao Lex Luthor e ao Michael Scofield que eles têm chance comigo agora.

16.4.10

"À noite, todos os gatos são pardos."


Pelo que sei, a curiosidade, até agora, só matou o gato. Não tenho nada a perder, se caminhar um pouco pelas suas palavras, basta prestar atenção no caminho para saber voltar.
Outra coisa que também aprendi é que olhar não tira pedaço e nem é pecado. Então, posso, de consciência tranquila e de bem com o Céu, analisar por uns segundos suas imagens e alma exposta no retângulo vertical de cores.
E se o apressado come cru, eu irei transformar os segundos em horas para poder apreciar tudo vagarosamente até que o bom fique bem passado e seus pensamentos passem (a ser) para mim.
A única aula que perdi foi aquela em que a professora deve ter falado persuasivamente, com sua voz rouca, que tudo demais é veneno.Talvez seja por isso que nunca dei muito atenção para as plaquinhas de PERIGO. E sempre dispensei as doses homeopáticas.
Agora, estou pagando o alto preço da minha distração, apreciando demasiadamente as exclamações dos seus sorrisos e a tentar procurar respostas para a interrogação do seu olhar, sentindo os efeitos colaterais da dose cavalar. Mas sei que tudo passa. Vontade passa. Até o tal do fascínio também passa. Um dia, as reticências ficam resumidas em ponto final. No nosso Happy ending em histórias separadas. E enquanto ele não chega, vou apertar o Carpe Diem contra o peito até que ele grude em mim.
O que importa agora é o momento. Eu quero. Você quer. Diversão. Apenas. Hoje.
E amanhã. E depois. E depois. E depois.
Depois? E agora? Agora tá tudo errado. O tempo passou e todos os dias viraram "hoje". O hoje que acabou esquecendo-se de virar ontem. Esqueceu o caminho de volta para casa e que a rua onde mora chama-se passado.
Será que é por causa disso que os meus pensamentos estão sempre com destino ao (nosso) futuro?!
Já nem sei direito o que fazer, já perdi até a capacidade de pensar. A única coisa que me consola é que depois da tempestade, vem a bonança. E enquanto a bonança não vem, vou ver o que posso fazer de melhor com essas águas. Afinal, quem tá chuva é para se molhar.
E acaba ficando tudo molhado mesmo. Principalmente quando a vara - que, felizmente, não é curta - cutuca a onça. Apesar de todos os pesares somos prevenidos, não temos tempo, dinheiro e disposição para remediar. E foi nesses breves momentos que digitais foram ficando inocentemente em mim , sem saber não há marcas que o tempo não apague. E no planeta onde habitamos - o dos macacos - existe uma regra clara: cada um deve ocupar seu galho. Como boa cidadã, cumpridora das leis, foi isso que fiz.
Achei também que esta era uma ótima oportunidade para libertar o pássaro que estava preso em minha mão. Sempre achei mais prazeroso apreciar a beleza de cem voando. A vida é assim. E gosto não se discute.






"Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás"

- Vanessa da Mata

15.4.10

O selo continua a andar



Primeiramente, gostaria de agradecer a dona do Imenso Relicário, minha amiga Danielly Oliveira, pelo adorável presente.
Flor, amei o selinho! Obrigada, de verdade!

Agora, é a minha vez!

E o selo vai para..

1. Jessica
Pela amizade. Pelo incentivo constante desde o início, pelos pés no chão e mente flutuante.
Pela capacidade ímpar de fazer das pedras no caminho um parque de diversão.

2. Brunno
Pelos tímidos e quase calados comentários. Pelos pensamentos fiéis e pelas crônicas leais.
Pelas letras que se repetem de forma peculiar. Pelos sorrisos que escrevem e conseguem falar.

3. Márcio
Pela Mina do Cara. Pela criatividade em tudo que faz. Pela atenção singular e, principalmente, pelas dicas geniais.


Dedico também este selo a todos que passam por aqui e deixam seus comentários tão importantes e necessários.

Beijos!


"Comunhão é quando a beleza
do outro e a beleza da gente
se juntam num contraponto."
(RUBEM ALVES)

13.4.10

Dia do Beijo












A Mega Sena de beijos está acumulada. Guardei todos os beijos ( com todas a suas formas e desejos) de ontem para distribuí-los hoje. Porque não existe nada mais chato que beijar por obrigação.
Dia do beijo?! Era só o que faltava. A desgraça é maior do que eu pensava. As pessoas andam tão frias e distantes que agora precisam até de desculpa para beijar.
Na minha época isso era totalmente desnecessário. Uma futilidade dessa era totalmente inadmissível.
Antes de sair de casa – para beijar – a gente beijava pai, mãe, irmão, gato, cachorro, papagaio...
Na hora do encontro a gente agarrava, apertava e beijava. Beijava tanto. Beijava até a língua cansar.
No caminho de volta para casa, os lábios não deixavam nenhuma bochecha conhecida voltar para casa carente e mal beijada.
Tudo era motivo para beijar: Carnaval, enterro, dias alegres, dias tristes, tempo ensolarado, tempo chuvoso... Todo dia era propício e não tinha essa conversinha mole de tempo ruim!
Desenvolvíamos técnicas que eram aprimoradas mês a mês em micaretas. Passo a passo no escurinho do cinema. Até que estava pronto para ser apreciado na comodidade do nosso lar.
Bons e inesquecíveis tempos. Tempo do beijo de olhos fechados. Do beijo apreciado e demorado.
Agora é a época do Fast-kiss, Kiss delivery, muitas vezes até do Fuck Kiss.
Ah, tenha santa paciência!
Ontem quando vi milhões de e-mails com felicitações pelo Dia do Beijo preenchendo a minha caixa de entrada, fiquei de luto. Luto por causa da covardia em massa. Luto pela existência de beijos tão uniformes, sem vida. Totalmente petrificados. E pior: virtuais.
Pelo que senti, a Mega Sena do Beijo continuará acumulando. Os tempos são outros.
O prêmio é em beijo vivo. Porém, ninguém sairá de frente do computador para vir pegar.

E aí, vai um beijinho para viagem?!





Kiss me
Out of the bearded barley
Nightly,beside the green, green grass
Swing,swing,swing the spinning step
You wear those shoes and I will wear that dress

Oh, kiss me,beneath the milky twilight
Lead me out on the moonlit floor
Lift your open hand
Strike up the band and make the fireflies dance,
Silver moon's sparkling
So kiss me

Kiss me
Down by the broken tree house
Swing me,high upon its hanging tire
Bring,bring, bring your flowered hat
We'll take the trail marked on your father's map
(Kiss Me - Sixpence None The Richer)

12.4.10

Bunda Mole, Vida Dura!





Pela primeira vez no ano, resolvi tomar uma decisão que pudesse, possivelmente, surtir um efeito positivo na minha vida. Decidi que meus dias de bunda mole, tecido adiposo recheado e sedentarismo estavam chegando ao fim. Depois de muito pensar e relutar, matriculei-me, enfim, em uma academia.
Estarei nos padrões. Serei uma pessoa com aspecto saudável e feliz.
No primeiro dia eu tava parecendo Pedro Álvares Cabral quando chegou ao Brasil. Perdida e maravilhada com o que via. E, por incrível que pareça, toda vez que inicio esse feito fico assim, sentindo-me como se fosse a primeira vez, pois não me acostumo nunca. Nada parece familiar.
Queria saber como aquelas criaturas conseguem correr em uma esteira por infinitas horas consecutivas, depois pular numa bicicleta e já sair correndo para dar umas pegadas e levantadas em pesos (lê-se no aumentativo) com uma disposição de criança ruim e em uma velocidade maior que a da luz. Para alguns até rola uma “aulinha” de dança, um jump ou mesmo algumas (várias) braçadas na piscina também.
Parece que nunca vou saber qual o segredo deles. Não tenho disposição suficiente para descobrir e tudo que consigo fazer é inversamente proporcional a tudo visto. Prefiro nem descrever e/ou definir meu desempenho aeróbico. Só de pensar já fico ofegante e cansada.
Aquelas bundas são tão duras quanto a minha realidade. E a flacidez das minhas pernas, peitos e coxas (e de todo o resto) só não é maior do que aquela que existe dentro de mim.
Quando saio daquela caixa cheia de músculos, beleza moldada e suor, acabo vendo que ela é pequena demais e que as minhas gorduras localizadas nunca iriam caber ali. Percebo também que o mundo deveria ficar mais largo se quisesse ser proporcional a mim. Ele que teria que mudar. Eu já desisti. Do mundo, da academia, dos moldes e padrões. Talvez seja apenas mais uma semi desistência.
Segundo profecias, ainda existirá muito início sem final feliz, vômitos noturnos, nenhum efeito positivo visível e a continuação de uma vida dura. Mas tudo bem, afinal ela só é dura para quem tem bunda mole, ou seja, apenas para mim.
Todos os outros estarão ilesos na caixinha.

http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/1854087



"Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição..."

(Salão de Beleza - Zeca Baleiro)




11.4.10

Mente, não minta!



[ "Nos outros eu sei onde se
abriga o coracão, é no peito;
em mim a anatomia ficou
toda louca, eu sou todo coracão."


(Maiakovski) ]



Ainda bem que você me entende.
Trata-se de coração, sim! Totalmente. Mas de mente também. De mente, que não mente. Que não blefa. Simplesmente por ter desistido de jogar. Que mostra as duas faces de uma única moeda. Dá a cara a tapa, a mão a palmatória. Não olha para trás e vai à luta.
Mente que não disfarça, que diz o que sente e não tem medo de perder.
Mente que saiu do banho-maria e foi caminhar pelos extremos. No gelo. Nas chamas.
Mente que pulsa. Treme e faz tremer. Tem taquicardia e fica vermelha. Azul, rosa, amarela, verde... Com a cor do ritmo e do momento.
Mente aberta. Às vezes distante. Horas perdida. Outras guru, cheia de magia e até telepática.
Mente que espera e já nem sabe onde guardar tanta saudade.
Mente que sonha e espera o momento certo de realizar. Que aprendeu a apreciar o raro tempero denominado paciência, por saber a diferença que faz no sabor da comida.
Mente que canta, que dança, que chora. Emociona-se. E de pé, bate palmas para os bons sentimentos. Palmas para o destino e para a vida!
Mente que ama e faz coisas que só o coração pode entender.




"I don't know but
I think I may be
Fallin' for you
Dropping so quickly
Maybe I should
Keep this to myself
Waiting 'til I
Know you better

I am trying not to tell you
But I want to
I'm scared of what you'll say
So I'm hiding what I'm feeling
But I'm tired of
Holding this inside my head

I've been spending all my time
Just thinking 'bout you
I don't know what to do
I think I'm fallin' for you
I've been waiting all my life
And now I found you
I don't know what to do
I think I'm fallin' for you
I'm fallin' for you

As I'm standing here
And you hold my hand
Pull me towards you
And we start to dance
All around us
I see nobody
Here in silence
It's just you and me "
(Fallin' for you - Cobie Cailat)

9.4.10

Além da imaginação

Tudo andava calmo. Eu aqui. Você aí. Como sempre.
Até que, subitamente, algo mudou. Eu mudei. Você mudou.
Mudou a latitude, a longitude.
Você voltou. A vontade voltou. E fez todos os sentimentos e sensações acordarem. Mais vivos do que nunca. Fortes e determinados, apesar de sedentos e famintos.
A terceira pessoa expulsou todos os “S”,cansou de ser plural, voltou a ser única. Único. Ele. Todo maiúsculo e singular.
Agora já ocupa todos os espaços, todos os pensamentos, todas as letras e melodias. Invadiu cabeça, corpo, alma, coração e tudo que viu pela frente. Daí mesmo sem sair do lugar.
Chegou botando (des) ordem na casa. Culpa minha. Da esperança. Culpa das portas sempre abertas.
Enquanto isso, vou ficando pequenininha, bobinha, felizinha, quem sabe até apaixonadinha. Diminutivo. Os sentimentos no aumentativo têm esse poder sobre mim. O pouco sempre é muito. E sempre muito bom.
Enquanto isso, vou sentindo e observando a realidade de olhos fechados.
Vendo o esforço dos sentidos de superar as reticências. De provar, cheirar, ver, ouvir e, principalmente, tocar o impossível.
Olhos atentos e largo sorriso no rosto. Cara a cara. O encontro necessário. Afinal, beijos, abraços, vontades, carinhos e, acima de tudo, sentimentos ficam sempre meio perdidos em um papel. E, principalmente, em nossa imaginação.




"Já percebi que não vou aguentar
A qualquer hora eu sei que vai voltar
Um sentimento que não tem fim
Me conquistou foi só sorrir pra mim
Não vai cessar essa vontade de te ter por perto
Só pra te olhar
Pois sei que ter você é impossível

Já percebi que não vou aguentar
A qualquer hora eu sei que vai voltar
O pensamento de ter você
Fico contando as horas pra te ter
Se quer me usar esteja à vontade
Só quero estar
Pois sei que ter você é impossível

Já percebi que não vou aguentar
Quero estar com você olhando só pra mim
Já não satisfaz te adorar assim
Pois de longe eu sei que posso te mostrar
Tudo aquilo que eu sei que espera encontrar
Só não vou correr, não vou apressar
Eu espero o momento certo de te encontrar
Cheguei perto, e agora, o que vou dizer?
Sei que ter você é impossível
"
(Impossível - Seu Cuca)


*Crédito da imagem: http://weheartit.com/entry/1903607

8.4.10

Quando a sorte vem, é assim


Tem dias que a sorte resolve sorrir.
Olhei para os dois lados, para trás, para cima.. Bem, parece que é para mim mesmo. Então, o que há a fazer a não ser sorrir de volta?!
A nuvem preta petrificada, inexplicavelmente, resolveu sair de cima de mim.
Confesso, que a manhã começou com cara de tragédia. Fazer uma visitinha básica em dois médicos em um mesmo dia, é no mínimo, muito desagradável. Mas isso, só se o sorriso não acontecer. Como, supreendentemente, não foi o meu caso, as coisas fluíram com uma suavidade de uma nuvem. Dessa vez, vermelha. Da cor da paixão e em forma de setas. Eram duas. Apontando para irresistíveis opções.
A primeira apareceu pela manhã bem cedo e me fez esperar, pelo menos, umas três horas para ver o que havia além daquela porta fechada. Quando a porta abriu, vi a seta (lê-se no aumentativo) indicando o oftalmologista mais charmoso do sistema solar. Valeu a pena cada segundo olhando aquelas revistas com informações da vida alheia e, pior, ultrapassadas. Se soubesse que aquela era a porta da felicidade, esperaria pacientemente a vida inteira, leria aquelas revistas por vezes e vezes sem cansar.
Além de lindo, educado e cheiroso. Ele é prático. Sabe o que quer. Gosta de conhecer bem as pacientes e obter detalhes de sua vida pessoal. Elogiar muito e olhar bem fundo nos nossos olhos - oftalmologistas fazem isso como ninguém, por que será?
Gosta mais ainda de pegar o número do telefone. Afinal, talvez eu precise que ele me ligue todos os dias para saber se minhas pupilas estão bem, se estão felizes, perfeitamente recuperadas daquele colírio serial killer. Se meus olhos estão brilhantes e fascinados igual a primeira vez que me viu.
Normal. Um bom profissional. Os bons (e bonitos) médicos deveriam sempre agir assim.
Depois do "quiz" rotineiro. Partimos para o objetivo incial da consulta - que por sinal, eu já havia esquecido.
Depois de tanto ver letrinhas pequenas e lentes girar, recebi a notícia que consigo enxergar. Muito bem, obrigada!
Infelizmente, enxergo tão bem a ponto de ver nitidamente aquela foto com sorrisos congelados e imagem de eternidade de uma familia feliz.
Então, adeus aos óculos e ao doctor bonitão. Pelo menos, enquanto houver aquela felicidade tripla naquela mural. Um conjunto de felicidade deve ser respeitado. E melhor, admirado.
Já tava quase desistindo de ir ao dentista pela quarta vez em um mesmo mês. Mas por falta de algo melhor para fazer, resolvi arriscar. Alguma hora teria que parar de fugir.
Dessa vez tudo foi rápido, sem a angústia da espera quase infinita. A seta apareceu rápido dessa vez. Indicava um menino vestido de dentista, esforçando-se para passar um ar de responsável. A carinha era bem familiar, de alguém que esporadicamente faz visitinhas ao meu orkut.
Ele realizou seu ritual dentário tão calmamente, que essa sensação acabou passando para mim.
Dessa vez sentar em uma cadeira meio cama e ficar mil horas olhando para cima e com a boca aberta, tendo que me cominicar com alguém mexendo nos meus dentes e que vejo meio de cabeça para baixo, em cima de mim, sentado ao meu lado não foi tão complicado como deveria ser.
A única dificuldade foi para entender a necessidade de voltar novamente se não havia mais nada para se fazer lá. Pelos menos, não nos meus dentes.
Voltarei. É só o que me resta. Eu e essa minha mania de colecionar mensagens subliminares e subjetivas.
Entre uma consulta e outra vi o carteiro mais charmosinho da história dos Corrreios. Ele tinha uma ar despreocupado de Dom Juan. E melhor, sabe muito bem como pedir um informação. Adoro quem sabe pedir, quem pede tão fácil e convincentemente. É fatal. E eu dou. Sempre dou. Direto e iresistível, simples assim.
Voltei para casa radiante. O dia conseguiu o recorde de surpresas. Agora vou dormir, mas antes rezarei para esbarrar novamente com o carteiro amanhã. Gostei dele. Parece livre e leve. Além de possuir uma beleza bem singular.
Melhor não seguir as setas. Tenho vida própria e opinião também. Costumo andar pelo lado oposto do caminho traçado.
Por isso, sei bem como devo agir amanhã. É só correr para o abraço agora. Pois quando a sorte vem, é assim. Basta continuar a sorrir.


"Eu tava triste tristinho
mais sem graça que a top model magrela
na passarela
eu tava só sozinho
mais solitário que um paulistano
que um vilão de filme mexicano
tava mais bobo que banda de rock
que um palhaço do circo vostok

mas ontem eu recebi um telegrama
era você de aracaju ou do alabama
dizendo nego sinta-se feliz
porque no mundo tem alguém que diz:
que muito te ama que tanto te ama
que muito te ama que tanto tanto te ama

por isso hoje eu acordei
com uma vontade danada
de mandar flores ao delegado 2x
de bater na porta do vizinho
e desejar bom dia
de beijar o português da padaria..."
(Telegrama - Zeca Baleiro )
Ao Márcio, pela ideia genial

4.4.10


Feliz Páscoa!!

"Coelhinho da Páscoa
Que trazes pra mim?
Um ovo, dois ovos, três ovos assim
Coelhinho da Páscoa
Que cor eles têm?
Azul, amarelo, vermelho também
"
Ao Coelhinho da Páscoa.
Você parece que anda seguindo os mesmo passos do Papai Noel. Fazendo tudo errado. Ele vem destruindo a minha auto-estima no Natal. E agora vem você na Páscoa.
Confesso, que aquele sorriso diante das formas variadas de chocolate foi o mais sincero possível. Mas o ódio por ter ingerido quilos e quilos de calorias também.
Você já parou para pensar como vou ter que passar fome agora?! Vou precisar de três anos correndo em uma esteira sem parar. Sempre soube que, igual aquele velho gordo do Natal, você também não gosta nem um pouco de mim. É um complô. Precisam de mais uma otária para compor o triângulo da obesidade.
Só lhe perdoarei se próximo ano você esquecer desse tipo de ovo e trouxer algo mais interessante e de uso prolongado. Pode ser um namorado, dois namorados, três namorados assim. Não tenho preconceito com cor. Pode ser preto, cinza, azul, amarelo, vermelho também.
Vou precisar da sua ajuda, porque da largura que estou, só com a união do Coelhinho da Páscoa e do Papai Noel e muita reza braba para algum homem decente olhar para mim.

3.4.10

Renovação.

Por dias seguidos eu fechei os olhos para tudo que estava acontecendo de errado. Olhava para os dois lados e fingia que não era comigo. Desviava, com um tom de brincadeira, de todos os alvos que jogavam para me atingir, mas no fundo, bem lá no fundo, sabia que mais cedo ou mais tarde a casa iria cair. E, realmente, caiu. Caiu e destruiu o lado mais fraco, é óbvio! Afinal, regras são regras. O meu caso não poderia ser exceção.
Tive uma Quaresma de “Cão”. Que Deus me perdoe o tom da palavra. Porém não existe outra que melhor defina esse período pós- carnaval, Ele bem sabe disso e me entenderá.
Como Jesus, fui traída e tive cara a cara com maiores sofrimentos, injustiças e humilhações. Caí e diversas vezes levantei, porque também tinha dentro de mim a promessa de um tempo melhor. Aqui o meu oásis sumiu, virou deserto também. Bem me disseram que era só miragem.
Na sexta-feira eu também morri. Morri na certeza de renascer. Morri com um forte sentimento de fênix. Confesso, também matei. Incertezas e medos tiveram que ser exterminados.
A promessa veio do alto. E por isso, a certeza habitou em mim.
Hoje é sábado. Aleluia. Tirarei o luto.
De costas para o resto do mundo. Braços abertos para a felicidade, vejo no mar todas as respostas que sempre procurei.
A cruz é pesada, mas as tormentas sempre passam. No fim de tudo vem a Páscoa cheia de vida. Vida nova. Plena em renovação.


"Persecuted, but not forsaken; cast down, but not destroyed."


"No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança
No novo tempo, apesar dos castigos
De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça "
( Novo Tempo - Ivan Lins )