26.2.10

Brincando de envelhecer

Quando menos se espera, a velhice aparece a passos quase inaudíveis, dá um tapinha no seu ombro e fala em alto e bom som: "Queridaaa, cheguei!!", com a certeza de uma permanência (quase) eterna. E você começa a pensar como seria bom se essa frase continuasse pertencendo somente ao Dino da Silva Sauro da Família Dinossauro. Ah, o Dino. Tempos bons. Infância, lembra?!
Hoje, justamente hoje, deparei-me com uma coleção de cabelos brancos na minha cabeça. Como eles puderam chegar tão depressa e, pior, sem avisar. Quero que esses intrusos saiam de cima de mim, pois não são bem vindos aqui.
Acho que eles chegaram para abrir caminho para uma destruição em massa.
Logo, logo irão cair os peitos, a bunda e tudo o que a lei da gravidade avistar pela frente. Até que não sobre mais nada e uma vida inteira esteja a sete palmos debaixo do chão. Vale ressaltar, que esta lei também se aplica aos homens. Contudo, no caso deles o problema não é cair, mas, principalmente, não levantar. Velhicezinha complicada, não?!
Por enquanto, eu sei que posso suportar. Talvez porque sinto que a dimensão do meu futuro ainda é maior que a do meu passado. Agora, são vinte e poucos anos. E quando forem sessenta e muitos?! Quem poderá me defender se nem restará, ao menos, o Chapolin Colorado?!
Não é que eu tenha certa recusa de sair da confortável vida intra-uterina, da inatingível barra da saia da mamãe, adolescência e coisa afins. Não é nada disso. Eu só tenho medo de não saber envelhecer.
Vou mesmo ter que ir com frequência ao médico?! E vou saber como diferenciar tanto remédio?! Vou ter alguém para cuidar de mim incondicionalmente e dizer que me ama como faz a minha querida mãezinha?! Vou usar bengala?!
Enquanto não encontro as respostas vou usar os médicos apenas para namorar, os remédios apenas para emagrecer, porque as bengalas no momento são apenas de chocolate. E, principalmente, aproveitar todo o tempo enquanto a minha genitora ainda está perto de mim.
Acho que tenho mais algumas dúvidas: Onde está a Terra do Nunca?! Terra prometida, Jardim do Éden, Jardins Suspensos...?! Será que alguém pode me informar onde ficam?
Queria está em todos ao mesmo tempo. Enquanto esse mesmo tempo ainda está a meu favor.
Pelo visto, as minhas dúvidas são infinitas e as respostas inexistentes. E enquanto estou preocupando-me demasiadamente com a subtração diária dos meus anos de vida, a velhice não pára de rir de mim. Então, dançarei conforme a música. Se é para brincar, a gente brinca! Se ela quer ser o Dino, eu vou ser o Baby e gritar irritante e insistentemente: "Não é a mamãe! Não é a mamãe!..." até a voz acabar.
Criança?! Eu?!
Eu disse, meu bem, que não sirvo e não sei envelhecer. E antes que pensem, -mesmo parecendo - eu não tenho vontade de ser o Peter Pan, não (nem o Baby!). Deus que me livre e guarde. Apenas a Ranger Rosa. Mas isso só quando eu crescer.





"Forever young
I want to be forever young"

4 comentários:

  1. ola tudo bem, vim visitar o blog e esta bonito esse,e agradecer pelos comentarios respondidos tbm.

    bjs***

    Oliver Key***

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  2. Olá!

    Que bom que você se lembrou de mim! Também fiquei feliz em vir aqui.

    Eu ainda não tenho cabelos brancos, mas há tempos essa questão da velhice tem me deixado bastante intrigado. É muito estranho se sentir como quem está envelhecendo na casa dos vinte e pouco anos, não é? E parece que a tendência é só piorar, até que encontremos a fórmula mágica para conviver harmoniosamente com a velhice e com o passar dos anos! É fácil encontrar quem diga nessa hora que "temos de aproveitar" a juventude, mas não é tão fácil encontrar quem diga como fazer isso. Não é fácil encontrar quem queira segurar em nossas mãos e aceitar embarcar nas nossas loucuras e nos empurrar também nas suas.

    E isso traz uma nova questão nesse emaranhado, que é o fato de que começamos a ter cada vez mais necessidade de ter um compahneiro(a), um amor verdadeiro que nos complemente da melhor forma possível, já que cada ser um humano é uma peça única de um quebra-cabeça que parece ser impossível de ser montado, pois as peças tem formatos únicos que dificultam bastante o encaixe perfeito.

    Pelo menos ainda nos resta o consolo de poder olhar para trás, e ver como evoluímos, como abandonamos velhos conceitos e idéias que seguíamos arduamente mas que agora nos parecem repugnantes. Ainda podemos ver ao longo dos nossos anos nossas conquistas, realizações, frustrações, amigos, sorrisos, lágrimas! Acho que essa coleção de coisas pode nos dar (ou não) um orgulho pelo que contruímos ou o impulso para seguir em frente!

    Falando de forma sincera, eu não me considero satisfeito com a forma como estou envelhecendo, mas pelo menos ainda estou jovem o bastante para poder buscar a "velhice dos meus sonhos"! E espero ter boas recordações daqui a alguma décadas! Boa velhice para nós!

    Um grande beijo!

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  3. Menina, vc realmente ainda é muito menina, mas posso te dizer que o tempo voa mesmo. Aos meus trinta e cinco (quase 36) te digo: O tempo passa depressa demais, nem sei como cheguei tão rápido até aqui. Só sei de uma coisa, temos que aproveitar esse tempo aqui sendo felizes, pois eu não sei se existe terra do nunca, hahahahha! Se existir, me avisa. Parabéns pelo texto reflexivo. Bjs

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  4. muito legal... as vezes fico pensando também como vai ser quando estiver envelhecendo e fico desesperada, mas acho que a vida é feita de fases e não adianta nada ficar querendo que essa nao chegue, afinal foi preciso que alguém chegasse a ela pra gente nascer. Mas uma juventude eterna até que não seria nada mal né? hahahaha

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