4.12.12

"O futuro não é mais como era antigamente"




Quando eu era criança, costuma brincar com minhas amigas com uma espécie de jogo em que "prevíamos" o futuro. Funcionava da seguinte maneira: desenhávamos um quadrado em um papel, dentro dele escrevíamos a idade com que iríamos casar (sim, porque com 7 anos, você acha que a vida vai achar lindo e super colaborar com seus sonhos matrimoniais), em cima d
o quadrado ficava a primeira letra dos pretendentes; de um lado, a quantidade de filhos; do outro, se iria ser menino ou menina e embaixo, a cidade onde a família de comercial de margarina iria morar e ser feliz para sempre. Depois que o "tabuleiro" estivesse pronto, era ir contando de acordo com o número dentro do quadrado e, claro, ele sempre iria parar naquilo que seria o seu futuro. 
Não preciso nem dizer que a vida contrariou todas as expectativas. Eu não casei com 20 anos, felizmente! (Nem com 24 e acho que não rolará nem com 30).Não tive 2 filhos, nem fui morar no Rio de Janeiro. Nem muito menos, nenhum daqueles meninos catarrentos virou o amor da vida (Graças!). 
Ontem, eu completei 1/4 de um século de vida. Pode parecer pouco para muitos, mas pareceu inatingível para mim, um dia. Com 7, 8, 15, 18 anos, você acha que com 25 vai ser muito adulto e vai estar, no pior das hipóteses, sofrendo em Paris. Que no alto do seu apartamento de cobertura ou nos voos altos de primeira classe, estará imune a todo e qualquer problema. 
Hoje, tudo parece meio ridículo. O dia a dia nos mostra com suas doses cavalares de realidade dura que não é bem assim. 80% das pessoas que eu conheço com 25 anos ou mais não está nem perto dessa idealização. São pessoas normais, que dormem tarde estudando e acordam cedo para trabalhar, que usam os finais de semana com cursos chatos (e tão necessários) de pós-graduação ou de idiomas, que possuem relacionamentos normais, cheios de altos e baixos, que juntam um dinheirinho suado para passar um finalzinho de semana na praia, que vivem vidas comuns e não hollywoodianas. 
Reproduzir Legião Urbana e dizer que o futuro não é mais como era antigamente, nunca fez tanto sentido. Bem antes dos 25, percebi que existia uma linha muito tênue entre livre arbítrio e destino. E queria usar desesperadamente apenas o primeiro, como se fosse possível. Mas com 25, admiti que é perda de tempo tentar diferenciar um do outro. Você simplesmente acorda e parte para vida para dar o seu melhor. 
Não tive alguns sonhos realizados, mas sempre tive além do que preciso. Tenho família, que seria até uma luta injusta contra meu vocabulário limitado tentar descrevê-la, de tão incrível que é. Uns amigos maravilhosos, que me pergunto todos os dias se mereço. Porque quem me conhece sabe que não sou fácil, nunca fui. 
Obrigada a todos pelo carinho de ontem, de sempre! ♥

4.9.12

Sobre o esquerdo


- E por que você não dá mais uma chance ao rapaz?
- Porque eu estou cansada de dar sempre chance aos outros e cair na mesma armadilha. Dessa vez, vou dar uma chance a mim.
- A chance de ficar sozinha?
- A chance de esperar o certo.
- E como você saberá que é o certo?
- Não é bem uma questão de saber, é de sentir. ­A pessoa simplesmente sente.
Em 1999, a professora apresentou um menino branquinho, de cabelos escuros e meio assanhados, ele estava com uma mochila meio estranha que parecia não ter nada dentro e vestindo um uniforme que conseguia ser mais branco do que a pele por baixo dela. Veio andando em minha direção, deu um Oi entre um sorriso tímido e sentou na carteira em frente a minha. A partir daquele momento, eu senti que estaria destinada a gostar dele pelo resto da minha vida, mesmo sem saber ao certo o que é gostar ou entender aquele misto de enjoo e felicidade e tontura e formigamento em uma parte do corpo não identificada.
A gente ainda fazia a quinta série, mas ele já se apaixonava pelas garotas com perfil para casar. Eu, mesmo sem nunca ter dado sequer um selinho, já dava aula de orientação sexual no recreio. Eu era velha demais para a minha idade, e ele sempre preferiu as garotas mais novas.
Eu era o combo quase aceitável, legalzinha, bonitinha, tirava boas notas e ia para escola de bicicleta. Mas com aqueles diminutivos, não seria boa o suficiente para conseguir o que queria, mas serviu para ser promovida ao papel de melhor amiga. O que rendeu muitos banhos de chuva voltando para casa, passeios de bicicleta, tardes de estudo e muito, muito papo sobre as garotas “fairy tale” que ele gostava.
Só fui descobrir anos depois, quando colocou meu cabelo atrás da orelha antes de me beijar, que era justamente aquilo que eu sentia na época em que ele sentava na minha frente na sala de aula. Ele abriu os olhos e disse que sempre gostou de mim, apesar do tempo e mesmo quando estava com as outras. Eu queria tanto ouvir aquilo, que acabei apagando a segunda parte e colando o que me interessava na pasta das frases sinceras.  
O tempo passou, me livrei dos diminutivos, mudei de escola, depois de cidade. Ele adquiriu uma barba e abandonou os clichês. Seria crueldade não nos encontrarmos de novo, mas também, e principalmente, seria inimaginável que aquele encontro na praia trouxesse consequências tão improváveis. A partir daquele momento, foi uma sequência semi-infinita de quases. A mão no meu peito, que quase virou sexo, nossos quase beijos e abraços nas despedidas, nosso eterno quase relacionamento. Mas era um quase tão gostoso, que quase passava despercebido, porque era totalmente feliz.
- Mas, e aí?
- A felicidade de um quase sorrateiramente, um dia, vira nada. Nem mesmo todos os lados dele foram capazes de suportar o meu (lado) esquerdo do peito.
- E você acha mesmo que alguém conseguirá?
- Eu ainda acredito em coragem.

Sobre o esquerdo - Talita Oliveira

 “para viver um grande amor direito
não basta apenas ser um bom sujeito
é preciso também ter muito peito
peito de remador”
(Vinícius de Moraes)


28.4.12

Zero a zero




- Ninguém liga pra mim.
- E você liga pra ninguém. Você e ninguém estão quites.

16.2.12

Dos diálogos horizontais





- Estou prestes a cometer uma grande besteira.
- Outra?
- A maior de todas.
Ele tirou a cabeça do travesseiro, apoiou-a na mão direita e ficou com um olhar silencioso de espera e interesse.
- Eu...  - Ela tentou parar, mas já era tarde demais para arrependimentos. - Eu ia pedir para você voltar.
- Mas eu nunca fui... - Ele disse com um sorriso nos olhos e um ar de quem fala uma imensa obviedade.


[...]


(De todos os amores não confidenciados, o seu sempre foi o mais repetido. É como se o silêncio andasse em círculos na minha cabeça. )

28.12.11

Nesse final de ano, dê uma dedicatória de presente






Quem disse que o Natal é a única data de dezembro para ganhar presente? Todo dia é dia de receber um agrado, um demonstração de carinho, de arrancar sorrisos e fazer alguém feliz. E se for antes do ano acabar, melhor ainda. 
No ano passado, no dia 31 de dezembro, o meu irmão me presenteou com o livro Canalha! de Fabrício Carpinejar e este ano ele me deu a dedicatória deste livro. Achei tão lindo, de um simplicidade encantadora, que decidi compartilhar com vocês, e roubar um pedacinho da ideia pra mim. Como estou relendo Cem anos de Solidão, decidi dar uma dedicatória de presente a um amigo que também já leu essa obra-prima de Gabriel García Márquez e se encantou tanto quanto eu. 
E você, se inspirou? Nesse final de ano, dê uma dedicatória de presente também. 


11.12.11

Dos anos que virão



Sabe, Maurício, nos últimos tempos tem sido inevitável não esbarrar com a tristeza e a melancolia entre os shows pirotécnicos de réveillon e as árvores de Natal. Subir e descer os morros da praia, trocar presentes previsíveis, pular as ondinhas com oferendas e realizar simpatias já caiu no automático.  Quem dera, Maurício, que fosse no esquecimento.  Mas parece que a memória tem tido mais facilidade para pulsar que o coração. Deslizes biológicos. Estes não acontecem com todo mundo, mas acontecem.
Tem sido cada vez mais difícil enxergar a beleza no óbvio e se render com facilidade aos apelos de retrospectiva.  Está parecendo uma festa à fantasia.  Final de ano fantasiado de Quarta-feira de Cinzas. E isso não tem graça nenhuma, Maurício. Diga a Papai Noel que isso é uma piada de mau gosto, sem direito a risos ou aplausos. E aproveite e peça a Papai do Céu para que isso não seja o prelúdio dos outros anos que virão. 

7.12.11

O futuro já começou



Eu sei que devo estar um pouco antecipada para entrar nessa vibe de retrospectiva, mas um pouco depois que dezembro começa e meu aniversário termina, eu dou um pause dramático (que chamo carinhosamente de estratégico) e vou dar uma espiadinha no que andei fazendo com a minha vida (e o que a minha vida andou fazendo comigo) nos doze meses oferecidos pelo calendário. 
E esse ano foi subnutrido de tanta coisa. Foram perdas incalculáveis, tanto financeiras quanto afetivas. Ainda busco alternativas para lidar com o buraco negro que ficou. Explicitar aqui o que senti e o que ainda sinto, seria uma tentativa vã. 
Mas como nem só de chorro e dramas se faz uma novela mexicana, meu 2011 também teve ápices, com sorrisos, comemorações e esperança. Acho que se tivesse que definir esse ano com uma só palavra, esta seria "começo". Pela primeira vez, em toda a história dos meus 24 anos de sombra e água fresca, eu estou pagando o preço para atingir meus objetivos. E isso inclui terapia, horas sentada em frente ao computador, outras tantas devorando livros e um lista quase infindável de renúncias. Ser concurseiro não é moleza. Para que eu chegasse nesse estágio, foi preciso que a minha mãe segurasse em uma mão, meu pai, em outra e alguns (e poucos, que fique bem claro) seres especiais ficassem na minha frente, com gestos de incentivo. Exatamente como fazem quando estão ensinando alguma criança a andar. E vejam só, eu estou aqui, em pé, andando. Claro que existem os que desestimulam, que torcem contra, que não acreditam. Mas o mais importante dessa jornada, eu já aprendi: tornar sonhos realidade não é fácil nem barato, mas é possível. O que os outros pensam, dizem ou acreditam, já não é problema meu. 
Vou aproveitar o ensejo, para incluir aqui também a seção "Agradecimentos". Afinal, nem o mais forte e nobre dos mortais consegue sozinho tirar um ano do monocromático. São muitos os que merecem as flores e medalhas de ouro por terem ajudado o meu ano acontecer, mas vou tentar não ser enfadonha e falar os mais presentes, mas nem por isso mais importantes que tantos outros, que por algum motivos não puderam  comparecer tanto. 
Primeiramente a Deus, pela força que pulsa e move;  A vovó Edite, por ter sonhado e acreditado em mim, quando eu ainda não conseguia. Aos meus pais, por me ensinarem através do exemplo e inúmeras renúncias pessoais, o que é fé e amor; Ao meu irmão, por aguentar os meus ataques de riso e de choro; Aos meus tios Amaro, Fatinha, Henrique, Narinha, por serem sempre tão bons, solícitos e pacientes comigo; Aos meus amigos amigos Hélio e Raquel por mostrarem a cada dia que ainda vale a pena acreditar em amizade verdadeira, na bondade e boa fé do ser humano; a Filipe, a quem eu sempre pude confiar os maiores segredos e dividir as noites de insônia; A Belbel, por ter um coração transbordante e uma capacidade ímpar de rir das mais adversas situações. E, claro, a vocês que vieram aqui, leram meus textos, deixaram uma forcinha, críticas e comentários carinhosos. Meus sinceros agradecimentos e desejo de um Natal cheio de paz e alegria e um Ano Novo do tamanho dos sonhos de cada um. 
Agora é só esperar o velho gordinho chegar com os presentes e escutar incansavelmente "o futuro já começou" da Globo, até que ele comece de verdade e nos livre dessa tortura anual.



P.S. Eu sei que esse texto poderia ser mais caprichado, com uma riqueza maior de detalhes e sem vácuo entre um parágrafo e outro. Peço que relevem e perdoem esses deslizes. Prometo que em 2012, o texto fluirá melhor e virá cheio de cores, purpurina e tudo o que manda o figurino.

18.11.11

Memorando


Memorando nº 300247/2011

Ao Senhor Fulaninho de Tal Que Não Cuida Da Própria Vida

Assunto: A minha vida

Venho por meio deste, parabenizar-lhe por possuir um sono regular e não fazer parte da infeliz parcela da população que sofre de insônia. Ajoelhe-se todos os dias em pleno sol do meio-dia e agradeça a Deus por não fazer parte dessa estatística. 
Aproveito a oportunidade para lhe informar que ninguém passa a noite acordado com uma ansiedade - digna dos piores dias no inferno - por livre e espontânea vontade. A insônia e a ansiedade, assim como todas as outras doenças, são atos que independem de vontade. 
Antes que você se anime, quero deixar claro que existem tratamentos altamente eficazes para solucionar esse pequeno desvio de sono. E estou tomando providências para solucioná-lo. Que fique bem claro: Não por causa dos seus comentários maldosos e de baixo escalão, mas, e principalmente, por mim, porque mereço uma vida mais leve e saudável. 
Não se preocupe, eu irei frustrar todas as suas expectativas e contrariar as suas previsões. Não será isso que irá me impedir de que conseguir tudo o que quero e mereço. Sim, mereço! Porque estou focando no meu futuro e correndo atrás dos meus sonhos. Quer uma dica? Faça o mesmo. Aproveite e desça desse seu pedestal imaginário e vá tomar providências para encontrar a felicidade. Para que não haja dúvidas: a SUA felicidade. Da minha, já estou cuidando. 


Sem mais para o momento.


Atenciosamente,




Talita de Oliveira e Souza
Chefe da própria vida

24.10.11

Das tentativas



A gente tenta. O pior é que a gente tenta. Mas os disfarces e joguinhos não costumam funcionar por aqui. Caras, performances, bocas e poses ensaiadas são dissolvidas pelo mesmo sorriso bobo e olhar de saudade. É tão claro e direto, que chego a ficar assustada quando você vai embora e tenho que me encarar no espelho sem reconhecer o que fui minutos atrás.
Na medida do possível, a gente vai levando. Eu aqui. Você aí. E a saudade (sempre ela) no meio. Há sempre um pouco de medo e muito de vontade entre nós. Um medo (infantil, quem sabe?) bem sutil, quase imperceptível. E uma vontade (de coisas e tempos que já ocupam um espaço transatlântico) com vocação para hipérbole.
Essa nossa história tão carente de certezas, sempre transbordou de tantas outras coisas. Fatidicamente vivas e explícitas aos nossos olhos. E que fique bem claro: aos nossos e de mais ninguém. É algo sensitivo e instintivo demais para que se possa explicar ou entender.
Sem mais delongas e tentativas vãs, essa é a hora que o silêncio se eterniza. Essas palavras vão ficar pairando no ar como tantas outras. Para que eu possa me sentir a vontade para usar o clássico sutiã de bolinhas sob o vestido verde e voltar à época em que abraços de vinte minutos e beijos de cinco horas eram a forma mais simples de descrever a realidade.


18.10.11

My week with Marilyn


 Os burburinhos sobre o filme "My week with Marilyn" já vem rolando há algum tempo. Mas, no início desse mês, com o lançamento do trailer oficial , fomos contemplados com uma prévia da atuação de Michelle Williams no papel de Marilyn Monroe. Que, como sempre, não parece ter deixado nada a desejar.
A história do filme é adaptada do livro homônimo de Colin Clark, que teve a chance de ciceronear a diva e mostrar-lhe o lado bom da vida britânica durante uma semana. Isso ocorreu no perído em que ela estava gravando The Prince and the Showgirl.
É inegável e incontrolável a minha vontade de ver esse filme. Agora é só aguardar a estreia nas telonas.

Eis aqui a prévia: